A anestesia, uma prática essencial na medicina moderna, tem um impacto ambiental que muitas vezes passa despercebido. No entanto, um estudo recente, divulgado pelo Amsterdam UMC e repercutido pela Google News e ESAIC Europe Anaesthesiology, lança luz sobre uma alternativa promissora para a redução da pegada de carbono na sala de cirurgia: a anestesia intravenosa. Os achados são notáveis, indicando que a transição para métodos intravenosos pode diminuir as emissões de CO₂ em uma escala comparável às emissões anuais de um país como a Dinamarca.
Para o cenário brasileiro, onde a conscientização ambiental e a busca por práticas mais sustentáveis estão em ascensão em diversas áreas, a anestesiologia não pode ficar à margem. Anestesiologistas e residentes no Brasil têm a oportunidade de liderar essa mudança, adotando e promovendo o uso de anestesia intravenosa total (TIVA) sempre que clinicamente apropriado. Os agentes anestésicos voláteis, como o desflurano e o sevoflurano, são potentes gases de efeito estufa. Embora sejam seguros e eficazes para o paciente, seu impacto ambiental pós-uso é considerável, contribuindo para o aquecimento global. Em contraste, os fármacos utilizados na TIVA, como o propofol e os opioides, têm um perfil ambiental mais favorável, pois são metabolizados pelo corpo e não liberados na atmosfera como gases intactos.
Além do benefício ambiental direto, a TIVA oferece outras vantagens que podem ser relevantes para a prática brasileira, incluindo uma recuperação mais suave e menor incidência de náuseas e vômitos pós-operatórios em muitos pacientes. A familiaridade com a técnica e a disponibilidade dos medicamentos são fatores importantes a serem considerados na transição. No Brasil, o propofol é amplamente disponível e utilizado, o que facilita a implementação da TIVA em muitos hospitais e clínicas.
É crucial que os programas de residência em anestesiologia no Brasil incorporem discussões sobre a sustentabilidade ambiental da prática, educando os futuros especialistas sobre as escolhas anestésicas e seu impacto ecológico. A decisão de utilizar anestesia inalatória ou intravenosa deve sempre priorizar a segurança e o bem-estar do paciente, mas, em casos de equivalência clínica, a opção com menor impacto ambiental deve ser seriamente considerada. Este estudo não apenas destaca um problema, mas também oferece uma solução prática e imediatamente aplicável, incentivando a comunidade anestesiológica global, incluindo a brasileira, a repensar suas rotinas e a abraçar práticas mais verdes.
Fonte: Google News - ESAIC Europe Anaesthesiology (com base em informações do amsterdamumc.org)
