A capsulite adesiva, popularmente conhecida como 'ombro congelado', representa uma condição musculoesquelética desafiadora, caracterizada por dor progressiva e restrição significativa dos movimentos ativos e passivos da articulação do ombro. Esta patologia impacta consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes e é uma queixa comum em ambulatórios de dor e ortopedia no Brasil, demandando abordagens terapêuticas eficazes para o alívio da dor e a restauração da função. Os anestesiologistas, com sua expertise em técnicas de bloqueio nervoso e manejo da dor, desempenham um papel crucial no tratamento multimodal dessa condição.
Historicamente, a fisioterapia (PT) é a base do tratamento não cirúrgico para a capsulite adesiva. No entanto, para otimizar os resultados e acelerar a recuperação, intervenções farmacológicas e minimamente invasivas são frequentemente empregadas. Entre elas, a injeção de corticoide intra-articular (ICIA) é uma modalidade amplamente utilizada devido às suas propriedades anti-inflamatórias potentes, visando reduzir a inflamação sinovial e a dor associada. Além disso, o bloqueio do nervo supraescapular (BNSE) tem ganhado destaque como uma ferramenta eficaz para o manejo da dor no ombro, pois o nervo supraescapular é responsável pela inervação sensitiva de grande parte da cápsula articular e estruturas periarticulares do ombro.
Um estudo clínico randomizado recente, publicado na renomada revista Regional Anesthesia & Pain Medicine (BMJ), buscou comparar a eficácia analgésica da injeção de corticoide intra-articular isolada com a sua combinação com o bloqueio do nervo supraescapular para o tratamento da capsulite adesiva do ombro. O objetivo principal dos pesquisadores foi determinar se a adição do BNSE à ICIA resultaria em melhores desfechos funcionais e maior alívio da dor para os pacientes. Embora o resumo original não detalhe os resultados específicos, a premissa de combinar essas duas abordagens terapêuticas é clinicamente relevante. A expectativa é que a sinergia entre a ação anti-inflamatória local do corticoide e a interrupção da transmissão nociceptiva pelo bloqueio nervoso possa proporcionar um alívio da dor mais robusto e prolongado, facilitando a adesão à fisioterapia e, consequentemente, a recuperação funcional.
Para a prática anestesiológica brasileira, a compreensão da eficácia comparativa dessas técnicas é fundamental. Anestesiologistas e residentes frequentemente são solicitados a realizar bloqueios para alívio da dor em pacientes com capsulite adesiva, seja em regime ambulatorial ou como parte de um plano de tratamento mais abrangente. A escolha da técnica mais apropriada – ICIA isolada, BNSE isolado, ou a combinação de ambos – deve ser baseada em evidências científicas sólidas, considerando o perfil do paciente, a gravidade da dor e a resposta a tratamentos anteriores. Este tipo de pesquisa contribui diretamente para a otimização dos protocolos de tratamento e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes brasileiros afetados por essa condição debilitante.
Fonte: Regional Anesthesia & Pain Medicine (BMJ)
