Estimulação da Medula Espinhal para Dor Crônica: Quando Optar por Eletrodos Percutâneos ou em Pá?
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Estimulação da Medula Espinhal para Dor Crônica: Quando Optar por Eletrodos Percutâneos ou em Pá?

A escolha entre eletrodos percutâneos e em pá para a Estimulação da Medula Espinhal (EME) é um dilema comum na prática da dor crônica. Este artigo aborda a escassez de diretrizes claras, essencial para anestesiologistas brasileiros que atuam em dor, buscando otimizar a segurança e eficácia do tratamento.

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Conteúdo verificadoFonte: RAPM / BMJ
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A Estimulação da Medula Espinhal (EME), também conhecida como Spinal Cord Stimulation (SCS), é uma modalidade terapêutica estabelecida para o manejo da dor crônica refratária a outras abordagens. No Brasil, o uso da EME tem crescido, especialmente em centros de dor especializados, e representa uma opção valiosa para pacientes com síndromes dolorosas complexas, como a síndrome pós-laminectomia, neuropatias e dor isquêmica. No entanto, a decisão sobre o tipo de eletrodo a ser implantado – percutâneo ou em pá (paddle leads) – frequentemente gera dúvidas entre os profissionais.


Ambos os tipos de eletrodos são amplamente utilizados no implante de sistemas de EME. Os eletrodos percutâneos são geralmente inseridos através de agulhas Tuohy no espaço epidural, de forma minimamente invasiva, e podem ser posicionados com o paciente acordado para testes intraoperatórios. Sua flexibilidade permite um posicionamento mais dinâmico e a possibilidade de ajuste fino durante a fase de teste. Por outro lado, os eletrodos em pá, que são mais largos e planos, requerem uma laminectomia ou laminotomia para seu implante, sendo um procedimento cirúrgico mais invasivo. Contudo, eles oferecem maior estabilidade, menor risco de migração e uma área de contato maior com a medula, o que pode resultar em melhor cobertura da dor e menor necessidade de reprogramações futuras.


Historicamente, a literatura tem demonstrado que ambos os tipos de eletrodos são considerados seguros e eficazes na redução da dor e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, a ausência de diretrizes clínicas robustas e baseadas em evidências para auxiliar o médico na escolha entre um e outro tipo de eletrodo é uma lacuna significativa. Essa falta de orientação pode levar a decisões baseadas mais na experiência individual do cirurgião ou do centro do que em critérios objetivos relacionados às características do paciente ou ao tipo de dor.


O principal objetivo deste tipo de revisão sistemática é justamente preencher essa lacuna, fornecendo uma visão abrangente das indicações e contraindicações relativas para o uso de eletrodos percutâneos versus eletrodos em pá. Para o anestesiologista brasileiro, que frequentemente atua no manejo da dor crônica e pode estar envolvido tanto na indicação quanto no acompanhamento desses pacientes, compreender as nuances de cada tipo de eletrodo é fundamental. Isso permite uma discussão mais informada com o paciente e com a equipe cirúrgica, otimizando os resultados e a segurança do procedimento. A escolha adequada pode impactar diretamente a longevidade do implante, a eficácia do alívio da dor e a incidência de complicações, como migração de eletrodo ou quebra.


Em um cenário onde os custos de saúde e a disponibilidade de recursos são considerações importantes, especialmente no sistema de saúde brasileiro (público e privado), a otimização da escolha do dispositivo desde o início pode ter implicações significativas. Um implante bem-sucedido e duradouro minimiza a necessidade de reintervenções, que são dispendiosas e aumentam os riscos para o paciente. Portanto, a busca por evidências que guiem essa decisão é de extrema relevância para a prática clínica da anestesiologia e da medicina da dor no Brasil.


Fonte: Regional Anesthesia & Pain Medicine (BMJ)

DW

Fonte editorial

Dr. Mark A. Warner

Professor Emérito — Mayo Clinic / ASA Past-President

Professor emérito de Anestesiologia da Mayo Clinic, Rochester, Minnesota. Past-President da American Society of Anesthesiologists (ASA). Autor do editorial multinacional 'Anesthesia Patient Safety: Next Steps to Improve Worldwide Perioperative Safety by 2030' (Anesthesia & Analgesia, 2022), co-autoria com especialistas de 12 países.

Nota editorial: O nome acima identifica a fonte original da publicação ou o colaborador editorial responsável por este conteúdo. A citação não implica vínculo institucional, endosso, parceria ou qualquer relação contratual com a ANESTLAB. Todo o conteúdo é curado e adaptado editorialmente pela equipe ANESTLAB com fins educativos e informativos, em conformidade com as práticas de fair use e atribuição de fontes.

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DR
Dr. Teste AnestesiologistaAnestesiologista — R212d

Excelente artigo! Muito relevante para a prática clínica.

DR
Dr. Teste AnestesiologistaAnestesiologista — R29d

Excelente artigo! Muito relevante para a prática clínica.

Debate Clínico(2 comentários)

DA
Dr. Teste AnestesiologistaAnestesiologista — R2Brasil

Excelente artigo! Muito relevante para a prática clínica.

há 13 dias
DA
Dr. Teste AnestesiologistaAnestesiologista — R2Brasil

Excelente artigo! Muito relevante para a prática clínica.

há 9 dias

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