"A IA Não Substituirá o Anestesiologista — Mas o Anestesiologista que Usa IA Substituirá o que Não Usa"
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"A IA Não Substituirá o Anestesiologista — Mas o Anestesiologista que Usa IA Substituirá o que Não Usa"

Em entrevista ao TopMedTalk durante o ANESTHESIOLOGY® 2025, o Prof. James Rathmell (MGH/Harvard) discute o futuro da especialidade, o papel da IA e por que a anestesiologia é a especialidade mais preparada para a transformação digital.

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Conteúdo verificadoFonte: TopMedTalk / ASA 2025
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James Rathmell: "O Anestesiologista que Usa IA Substituirá o que Não Usa"


Em entrevista concedida ao TopMedTalk durante o ANESTHESIOLOGY® 2025 em San Antonio, o Prof. James Rathmell, Chair do Departamento de Anestesiologia do Massachusetts General Hospital e Past-President da ASA, compartilhou sua visão sobre o futuro da especialidade.


A Entrevista


ANESTLAB: Professor Rathmell, há um debate crescente sobre se a IA irá substituir os anestesiologistas. Qual é sua posição?


"A pergunta errada é 'a IA vai substituir o anestesiologista?'. A pergunta certa é 'como a IA vai transformar o que fazemos?'. A resposta é: profundamente, e para melhor. Mas o julgamento clínico, a empatia com o paciente, a capacidade de improvisar em situações imprevisíveis — isso é irredutivelmente humano."

ANESTLAB: Quais aplicações de IA você considera mais promissoras?


"Três áreas me entusiasmam particularmente. Primeiro, a predição de eventos adversos — já temos sistemas que preveem hipotensão com 15 minutos de antecedência, e isso salva vidas. Segundo, a personalização farmacológica — cada paciente responde diferentemente aos agentes anestésicos, e a IA pode otimizar isso em tempo real. Terceiro, a documentação automatizada — os anestesiologistas gastam 30-40% do tempo em burocracia. Liberar esse tempo para o cuidado direto ao paciente é transformador."

ANESTLAB: E os riscos?


"O maior risco não é a IA falhar — é o anestesiologista confiar cegamente nela sem entender suas limitações. Precisamos formar profissionais que saibam quando confiar no algoritmo e quando ignorá-lo. Isso exige um novo tipo de competência que ainda não ensinamos adequadamente nas residências."

O Futuro da Especialidade: Cinco Tendências


O Prof. Rathmell identificou cinco tendências que moldarão a anestesiologia nos próximos 10 anos:


1. Medicina Perioperatória Integrada


"O anestesiologista do futuro não começa seu trabalho na sala de cirurgia — começa semanas antes, na consulta pré-operatória, e continua na UTI e na reabilitação. Somos os médicos do período perioperatório."

2. Tele-anestesia


A pandemia acelerou o desenvolvimento de modelos de tele-anestesia para regiões remotas. Sistemas de supervisão remota permitem que um anestesiologista sênior supervisione múltiplos procedimentos simultâneos em locais distantes.


3. Circuito Fechado Automatizado


Sistemas de circuito fechado para manutenção de propofol e remifentanil já estão em uso em alguns centros de pesquisa. A aprovação regulatória para uso clínico amplo é esperada para 2027-2028.


4. Genômica Farmacológica


"Em 10 anos, antes de qualquer cirurgia eletiva, faremos um teste genômico rápido para identificar variantes que afetam o metabolismo de opioides, bloqueadores neuromusculares e anestésicos locais. A anestesia personalizada será a norma."

5. Realidade Aumentada na Sala Cirúrgica


Óculos de realidade aumentada sobreporão informações de monitorização, anatomia e alertas diretamente no campo visual do anestesiologista, sem necessidade de desviar o olhar para monitores.


Uma Mensagem para os Residentes Brasileiros


"O Brasil tem uma das melhores formações em anestesiologia do mundo. Os residentes brasileiros que vejo nos congressos internacionais são excepcionalmente preparados. Meu conselho: dominem os fundamentos com profundidade, aprendam a usar as novas tecnologias com critério, e nunca percam o foco no paciente. A tecnologia muda — o paciente permanece no centro."

Fonte: TopMedTalk / ANESTHESIOLOGY® 2025, San Antonio

DL

Fonte editorial

Dr. Stuart A. Leir

Anestesiologista — Canadá / CAS

Anestesiologista canadense e pesquisador em políticas de saúde. Autor principal do estudo 'The anesthesia human resources crisis in Canada' (Canadian Journal of Anesthesia, 2024), que documentou a crise de força de trabalho em anestesiologia no Canadá. Membro da Canadian Anesthesiologists' Society (CAS).

Nota editorial: O nome acima identifica a fonte original da publicação ou o colaborador editorial responsável por este conteúdo. A citação não implica vínculo institucional, endosso, parceria ou qualquer relação contratual com a ANESTLAB. Todo o conteúdo é curado e adaptado editorialmente pela equipe ANESTLAB com fins educativos e informativos, em conformidade com as práticas de fair use e atribuição de fontes.

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